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Você vive a vida que deseja ou a vida que atribuíram à você?

Psicóloga Jéssica Horácio – CRP 12/14394 – Psicoterapeuta Corporal e Tanatóloga

Não é raro aparecer no consultório um paciente lamentando pela vida que não viveu. Engana-se quem pensa que este lamento vem de forma consciente ou diante de uma doença que o aproxime do fim da vida, se fosse, o paciente procuraria a psicoterapia com outras queixas que não a angústia que o acompanha diariamente. A dor de não viver a vida do jeito que se gostaria se expressa em ansiedade – parece que o tempo está acabando e com ele a esperança de uma vida diferente –  em medo da morte, arrependimentos, insatisfação, culpa, inveja e frustração. E tudo o que o paciente tem condições de fazer é se perguntar: “por quê?”

Estes sinais às vezes não fazem sentido para quem o sente, afinal, tudo estava tão bem, o que será que aconteceu? “Por que fiquei assim?” E basta o psicoterapeuta questionar a rotina de vida do paciente que logo fica claro, ao menos para o psicólogo, o quanto a vida do paciente é desprovida de sentidos próprios e pessoais, há momentos em que até parece que ele está cumprindo um legado que fora ordenado à ele no momento em que nasceu.

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Há vezes da pessoa trazer na sua bagagem um amontoado de feitos importantes para os outros: é altruísta, participa de ações beneficentes, se dedica ao voluntariado, está sempre disponível para ajudar quem quer que seja; e há vezes de não ter absolutamente nenhum sentido altruísta nos seus dias, mas de ir vivendo conforme supõe que alguém julga  que ela deve viver. Em um caso há uma pessoa que vive para servir aos outros  e no outro, para obedecer a alguém. Duas faces da mesma moeda: vivendo uma vida que não pertence à ela.

Fica difícil construir equilíbrio emocional desse jeito. E então basta ver um idoso para se ter taquicardia, basta observar alguém gargalhando para se sentir triste, perceber uma criança brincando para sentir inveja, uma mãe cuidando do filho para se deparar com o arrependimento, ouvir o despertador tocando para se ter pânico…

Friedrich Nietzsche sugere que uma vida bem vivida é aquela em que teríamos vontade de vivê-la exatamente igual várias e várias vezes, na verdade, para sempre. E quantos de nós gostaria de viver nossa vida como é hoje, eternamente da mesma forma? Embora seja uma sugestão metafórica, nos ajuda a repensar o modo como estamos vivendo, refletir por qual propósito estamos construindo o nosso destino e se esta construção é coerente com o nosso “Eu” verdadeiro e não com aquele que supomos que atribuíram à nós.

Embora a questão principal seja “como foi que o indivíduo entendeu que este deveria ser o seu destino?” cada ser humano possui o seu “porque” e “quando” próprios. Na história pessoal de cada um há datas, pessoas, ambientes, diálogos, olhares, que o induz a viver para corresponder às expectativas de alguém, ou ainda, para receber ordens.  Tão importante quanto descobrir a origem deste funcionamento e quebrá-lo, é auxiliar o paciente na descoberta de quem ele é quando não está contaminado de sentimentos de reconhecimento e aceitação pelos outros, é assumindo o seu verdadeiro “eu” que ele caminhará na construção do seu próprio destino. Afinal, como diria um autor na voz de Nietzsche, não é possível desvestir um indivíduo sem antes ensiná-lo a tecer as próprias vestes.

Sugiro então que você mergulhe na sua trajetória e identifique quais são as suas prisões, sim, que aprenda a reconhecer quais ações tem lhe prendido a um destino que não é a “sua cara” e que definitivamente não combinam com os seus verdadeiros desejos. Quando conhecemos as nossas prisões ganhamos o direito de abri-las ou não. A consciência dos nossos atos nos torna donos do nosso próprio destino, autores da nossa vida. E me diga, você, viveria novamente a sua?

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