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Você se perdoou?

Psicóloga Jéssica Horácio de Souza – CRP 12/14394 – Psicoterapeuta Corporal

Para algumas pessoas, cometer erros é extremamente doloroso. O conflito básico se origina através da crença pessoal que o indivíduo tem sobre si. Padrões comportamentais caracterizados por autocobrança, exigência de perfeição, tendência a organicidade, intolerância a frustrações, sentimento de culpa e medo diante da possibilidade de não terem o controle da situação, apresentam dificuldade em aceitar as próprias limitações e consequentemente, dificuldade em se perdoar.

Geralmente diante do desconhecido, estas pessoas apresentam ansiedade patológica desenvolvendo estresse situacional, o que pode contribuir para quadros psicopatológicos quando não são administrados e elaborados através da psicoterapia.

O arrependimento se torna a sombra destes indivíduos que aprenderam a ser rígidos consigo, e é exatamente por isso que eles sentem dificuldade em passar de fases na vida, ficam tão reféns das escolhas não assertivas que fizeram no passado que não conseguem olhar pro presente para construírem um futuro.

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“Mas eu não agi certo!”, “Eu fui ‘burro'”, “Como eu pude fazer isso?”, “Eu não me perdôo”… Todas estas falas que são constantemente ouvidas no consultório demonstram a tendência que o indivíduo com traço de carácter rígido tem em se auto punir e se desvalorizar diante de uma limitação ou falha.

O que contribui para isto é a crença pessoal que o indivíduo desenvolveu ainda na infância sobre aquele que erra. O medo da castração e da rejeição do seu amor faz com que indivíduos com traço de caracter rígido, que se desenvolve a partir dos três aos seis anos de idade (fase fálica), desenvolvam o orgulho enquanto defesa emocional. O orgulho é que exige a perfeição destes indivíduos, afinal, é através das próprias conquistas originadas das escolhas assertivas que tais indivíduos passam a se confortar e mascarar a dor de não sentirem-se amados mesmo quando erram.

Ás vezes, para compensar um sentimento de inferioridade ou até mesmo as rejeições da infância, desenvolve-se máscaras sociais onde para evitar lidar com estes sentimentos vinculados à rejeição, o indivíduo passa a exigir cada vez mais de si, esta é uma forma que muitas vezes se dá inconscientemente para compensar a dor que se sente.

Algumas pessoas aprenderam a receber aprovação apenas quando acertavam algo, sendo humilhadas ou desvalorizadas quando erravam ou não faziam aquilo que o outro esperava, deste modo para não serem punidas ou desaprovadas, passam na vida adulta, a se capacitar para várias atividades, esquecendo que são humanos, que adoecem, que sofrem, que sentem. Assim, quando não conseguem dar conta de determinada demanda, desenvolvem quadros depressivos ora se desvalorizando, ora ficando extremamente irritadas consigo.

Sem dúvidas, para elaborar este conflito é necessário que se desenvolva o auto perdão, ou ainda, a empatia por si. O auto perdão para ser efetivo precisa ocorrer de forma consciente, é importante que o indivíduo avalie pelo o que se culpa, e identifique o que na época o levou a tomar determinada decisão. A empatia consigo é sem dúvidas a chave para o auto perdão. Muitas vezes o indivíduo avalia a situação do passado baseando-se nas suas condições e percepções do presente, o que anula qualquer possibilidade de compreensão do motivo da sua escolha “errônea”. É importante perceber que as crenças, valores, pensamentos e sentimentos mudam de acordo com cada etapa da vida, e que são completamente diferentes daquelas de outrora.

Assumir a responsabilidade por aquilo que fez também auxilia na elaboração do perdão, mas é somente com o desenvolvimento do amor por si que a absolvição da culpa acontece. Quem se pune, se culpa, se cobra e se desvaloriza possui uma identidade primária frágil, ou seja, não aprendeu a se amar incondicionalmente.

Por isso é fundamental desenvolver primeiramente o amor incondicional por si, desta forma a compreensão das próprias limitações será mais facilmente assimilada para que diante de uma escolha que não fora positiva, este indivíduo aprenda com a situação e se desculpe para então quando possível, refazer as suas escolhas ou reajustar as suas decisões.


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