Colunistas

Solidão em tempos de pandemia

Psicóloga Jéssica Horácio – CRP 12/14394

Psicoterapeuta Corporal e Tanatóloga

Quem poderia imaginar que um vírus surgiria e impossibilitaria a troca de afeto físico entre as pessoas? De repente o ser humano se deparou com o medo intenso, com a insegurança e principalmente, com a impotência diante da vida: “Será que estou com a Covid?”, “Não posso deixar meus pais saírem de casa!”, “Quando isso tudo vai acabar?”. 

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Meses já se passaram desde que a pandemia do novo corona vírus surgiu no mundo inteiro e, grande parte das pessoas continua lidando com todo este emaranhado emocional, porém, mais uma outra característica tem aparecido como consequência da ausência de contato físico por meses a fio, a carência emocional está vindo para somar ao grupo de desconfortos causados pela pandemia. 

Neste cenário pandêmico, é comum que após um longo período de isolamento ou até mesmo de distanciamento social, as pessoas se deparem com momentos de solidão intensa, de tristeza e ansiedade por contato. Este cenário se assemelha a um processo de luto em que o indivíduo enlutado anseia pelo retorno da figura perdida e por não encontrá-la, sofre e se deprime: uns se fecham para as relações como forma de se protegerem de novas dores, e outros partem em busca da construção de várias relações para amenizar a dor da solidão.

Quem está respeitando a quarentena está abdicando do contato físico, e vivendo inconscientemente um luto dentro de si, afinal, não poder dar e receber um abraço, fazer um carinho em alguém que se ama, receber um beijo, segurar as mãos, chorar no ombro de alguém, para o inconsciente pode ser interpretado como a perda de alguém, despertando sentimentos correspondentes ao luto.   

O toque físico pode proporcionar sensação de bem estar pois ele ativa alguns neurotransmissores responsáveis pelo prazer, e inibe a produção de outros neurotransmissores que originam sensações de estresse e dor. Mas isto não acontece com todas as pessoas, pois há algumas que apresentam grande dificuldade em tocar as pessoas que são mais próximas delas, também há aquelas que não se permitem serem tocadas, geralmente são os traumas vinculados ao desenvolvimento emocional que provocam estas resistências físicas e psíquicas. Contudo, o desejo de fazer contato com o amor é universal, e até quem possui bloqueios emocionais com relação ao toque físico, busca consciente ou inconscientemente formas menos desconfortáveis para demonstrar e para pedir amor.

A pergunta que eu quero te fazer é: Como você tem lidado com a ausência de contato físico?

Embora a tecnologia auxilie na construção e na manutenção de vínculos, principalmente para os mais tímidos de encontros presenciais, para algumas pessoas ela ainda não consegue proporcionar o mesmo bem estar que o encontro presencial com toque afetivo tem. Os recursos tecnológicos durante a pandemia tem exercido um papel muito importante mas ainda, paliativo.

Então, será que não é o caso de aceitarmos a solidão e aprendermos a acolhê-la? O ser humano tem uma tendência de fugir das suas dores, é a forma que o inconsciente encontra para poupar o ego de sofrimento mas, neste momento pode ser importante se tornar mais perceptivo sobre as próprias questões para se apropriar delas e aceitá-las.

Talvez este não seja o momento de encontramos o outro, mas quem sabe possa ser o momento de fazermos encontros com nós mesmos e aprendermos a apreciar a nossa própria companhia. O toque físico também pode e merece fazer parte deste processo de encontro consigo, pois se ele tem a capacidade de gerar bem estar quando fazemos no outro, ele também pode gerar o mesmo bem estar se fizermos em nós mesmos.

Aceitar a falta da satisfação de um desejo também é uma forma de se relacionar com o mundo, afinal, hoje é a pandemia que está impossibilitando o tão desejado encontro, mas, em algum outro momento já foi um “não quero ir”, e quando a pandemia se estabilizar, novos “nãos” poderão surgir. Aceitar a solidão decorrente da ausência do outro é necessária, mas talvez a pior solidão seja aquele que implica em abandonarmos a nós mesmos.

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