Colunistas

Ressignifcar é melhor que perder a memória

Psicóloga Jéssica Horácio – CRP 12/14394

Psicoterapeuta Corporal e Tanatóloga

Eu sei que você já quis esquecer um alguém, eu também já. Compreender a ciência que mostra a enxurrada de sinapses cerebrais que ocorrem no momento de uma perda não é suficiente para nos trazer para a realidade quando estamos vivendo um rompimento numa relação, seja ele ocasionado por morte, separação, desaparecimento… Na verdade, tentar racionalizar a dor é matar o muito do ser humano que existe em nós. Se somos constituídos de carne, osso e emoções, para que abdicar dessa última? No momento do fim, nós simplesmente sentimos, e aquilo é tudo. Mas entendo que dá uma vontade danada de apagar este período da nossa história e ir direto para aquela parte onde a esperança traz em uma imagem: o sorriso voltando ao nosso rosto. Dá vontade de pular para o próximo ano, para a próxima relação, para a próxima alegria ou até para a próxima dor que sugere ser muito menor à esta que estamos sentindo.

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Esquecer se tornou o novo “não quero sentir essa dor”. E é desejando cessar a tristeza pelo fim que buscamos as famosas fugas emocionais. O inconsciente, para nos privar da dor, age em nossa defesa: ele bloqueia – lembre-se dessa palavra – memórias afetivas ligadas àquela pessoa que não estará mais presente fisicamente na nossa rotina. O problema desse bloqueio é que ele não é seletivo, ele bloqueia também a nossa capacidade de se conectar com os sentimentos bons que aquele período da nossa vida nos trouxe.

Eu pedi para você lembrar da palavra “bloqueio” porque bloquear é diferente de apagar e precisamos entender isso. Quando as lembranças são bloqueadas elas estão somente adormecidas enquanto nosso inconsciente se certifica de que ainda não temos condições para elaborar a dor da perda, já quando as lembranças são apagadas, elas não voltam mais. E este último recurso só é possível através de um acidente onde nossa capacidade de reter fatos fica comprometida, esta é uma questão que envolve o desenvolvimento ou surgimento de uma patologia que implica em várias outras consequências para o corpo e para a mente, talvez você entenda melhor assistindo os filmes: “Como eu era antes de você”, ou a “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”.

Ou seja, apagar alguém da nossa vida não é possível porque simplesmente desejamos que isto aconteça. E uma vez que aquilo ou aquele que dorme acorda, as lembranças bloqueadas pelo inconsciente acordarão em algum momento, e nos pegarão de surpresa.

Ninguém quer conviver com uma dor aguda, tanto é que os analgésicos estão aí para amenizar este tipo de sofrimento físico, e é bem verdade que ninguém quer conviver também com memórias que provocam dores intensas e profundas, mas para elas não há analgésicos. Mas existe a construção de um processo que quando feito de modo ativo, proporciona uma experiência chamada ressignificação. Uma pena pensar que poderiam ter nos falado sobre essa experiência quando ainda éramos crianças e lidamos com as nossas primeiras perdas, né? – Tá aí mais uma vez a importância da presença de psicólogos e psicólogas no cenário educacional… Mas vamos voltar ao assunto.

Re-significar é o processo de dar um novo significado para determinada experiência na nossa história. Mas isso não acontece pela força do pensamento, isto ocorre quando temos consciência que a nossa história merece respeito e que bloquear uma parte dela que foi dolorida é também bloquear a nossa capacidade de sentir o que é bom. Ah! quando entendemos os prejuízos sofridos por deixar uma história para lá, também caminhamos em direção ao processo de ressignificação.

Viver a dor é tão natural e fundamental quanto viver a alegria, se nos damos o direito de sorrir, por que não nos darmos o direito de chorar também? Descobrir a nossa participação e responsabilidade nos acontecimentos que nos cercam é necessário para o nosso amadurecimento e para conhecermos que tipo de relacionamento estamos desenvolvendo com o mundo por ser quem somos, ou por estar do jeito que estamos. Estes elementos fazem parte do processo de ressignificação.

Olhar para a nossa história e perceber os aprendizados em cada página dela pode nos deixar muito mais capazes de construirmos um presente mais autêntico e livre de influências negativas do passado. Se você sente dificuldade de elaborar as suas perdas, procure um psicólogo ou uma psicóloga para lhe ajudar a compreender as suas dores e principalmente, a acolhê-las e torná-las pertencentes à sua história.

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