Colunistas

O que fica quando partimos?

Psicóloga Jéssica Horácio – CRP 12/14394

Psicoterapeuta corporal e tanatóloga

Não queremos pensar na morte, não queremos tomar consciência da imprevisibilidade da vida. Assusta olhar para a nossa própria vulnerabilidade principalmente quando buscamos construir segurança e controle sobre tudo que nos cerca. A impotência pode ser absurdamente apavorante para quem aprendeu que a vida tem que seguir conforme aquilo que se idealizou. Mas, tanto para estas pessoas quanto para aquelas que tem maior flexibilidade em viver e que conseguem se entregar para o imprevisível, a morte costuma ser assustadora. O desconhecido assusta, perder o controle sobre si também, pensar em não mais fazer contato com aquilo que amamos idem.

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Acho interessante pensar na morte como uma partida que pode ser repentina ou anunciada, mas que é inevitável independente do modo como ela irá se apresentar. É como se em algum momento você precisasse avisar aos seus familiares, amigos, amigas e colegas que está na hora de ir embora: eles ficam, você vai. E assim você pega a sua mala, junta alguns dos seus pertences que representam quem você é e parte. Porém, ao juntar os pertences, você deixa alguns com eles e elas também, afinal, são as lembranças deixadas que dirão quem você foi para aqueles com quem escolheu compartilhar a sua vida. Neste caso surge um questionamento: o que será que deixaremos quando formos embora?

Tente fazer este exercício mental: se imagine reunindo os fragmentos de quem você é e compartilhando parte deles com quem fez parte da sua história até aqui. O que você levaria consigo? O que você verdadeiramente deixaria? Aquilo que você está deixando corresponde ao que você gostaria de deixar? Existe algo que você precisa revisar?

Embora não tenhamos como controlar se a nossa ida será repentina ou anunciada, podemos dentro de algumas circunstâncias construir as heranças emocionais que deixaremos. O que quero dizer é que a consciência sobre a nossa mortalidade pode nos ajudar na construção das histórias que vivemos. Quando há consciência sobre a vida abre-se uma porta onde o contato com a realidade e com o aqui e o agora é a única opção. É assim que passamos a escolher o modo como viveremos algumas experiências, como nos relacionaremos com as pessoas e conosco mesmo. Uso a palavra “algumas” para não ser utópica, afinal, as exigências sociais e as nossas neuroses certamente dificultarão a nossa capacidade de estarmos completamente presentes em todas as nossas vivências.

Mas até assim, na inconsciência dos nossos comportamentos deixaremos marquinhas naqueles e naquelas que cruzarem o nosso caminho. E é claro que a interpretação das pessoas sobre como agimos falarão mais sobre elas do que sobre quem somos, sobre quem fomos. Mas o ponto dessa nossa reflexão não está em como nos julgarão ou sobre como julgaremos os outros quando eles não estiverem mais presentes fisicamente em nossa vida, mas sim sobre como tocamos quem também nos der o direito de entrar em nossa vida.

Por falar em tocar, quero terminar esse texto compartilhando uma frase que me tocou nos últimos dias, e desejo que ela tenha em ti o mesmo efeito que teve em mim, então vamos lá: “o mais importante é o que deixamos no mundo do outro”.

Que você deixe aquilo que você verdadeiramente é, ou que verdadeiramente foi.

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