Raríssima Cabeçalho
Colunistas

E se… Na história pode?

E lá vem a pergunta do aluno:

Coopera
Dengo Produtos de Limpeza
Maderonchi
Contape

Professor, e se o Brasil tivesse sido colonizado pela Inglaterra que nem os Estados Unidos?

Está posto o problema e nunca é tarefa fácil convencer as pessoas que falar português ou inglês não mudaria muito nossa condição histórica (será?). Usar o termo “e se” na história também não é algo tão simples. Podemos, obviamente, atiçar nossa imaginação, mesmo assim não poderíamos ter certeza de nada, pois aquilo que não aconteceu, não aconteceu – embora nada de simples (outra vez?!) haja nisso.

Nos idos de 2009 acompanhei uma discussão dessa no finado Orkut em uma comunidade dedicada ao Brasil. Na ocasião uma pessoa, que se dizia professor de inglês, afirmava com todos os caracteres que uma das razões do nosso atraso era nossa língua e ainda creditava no embalo a colonização portuguesa. Não foi preciso muito esforço para ter sua “teoria” desmantelada, afinal, quando discutindo pelas redes sociais, é comum encontrarmos pessoas mais experimentadas que nós. Quem não sabe aprender ouvindo os outros também terá dificuldade em ser ouvido.

Conversa vai e conversa vem e lá pelas tantas alguém chegou desbancando a situação, pois, acreditem ou não, há pessoas que pensavam (e pensam!) como o camarada lá professor de inglês (Por favor, não estou a desmerecer os professores de inglês). No caso uma moça, morava há anos nos “states” e vivia seu trabalho na área de comércio internacional entre a Europa e a América. Para o debate trouxe apenas algumas poucas palavras: quantos países de língua inglesa são opostos à opulência britânica ou estadunidense? Dois países já nos bastam para entender: Jamaica e África do Sul. Países colonizados pela Inglaterra em moldes totalmente diferente das Treze Colônias e praticamente iguais ao Brasil nesse período de nossa história: colônias de exploração. Há, contudo, que se refletir mais sobre isso, visto que outros lugares do mundo também foram explorados à exaustão como colônias e hoje se apresentam de maneira diversa de nosso Brasil varonil. Uns bem piores que nós e outros melhores.

Creditar nosso “terceiro mundismo” à colonização predatória ibérica não é suficiente para entender nosso presente. No inverso dessa relação, crer que seríamos um país rico se tivéssemos sido colonizados pela Inglaterra seria, no mínimo, falta de conhecimento, ou certa ingenuidade mesmo. Fato é que qualquer país europeu poderia ter-nos feito o mesmo trabalho de Portugal, fosse Alemanha, Holanda ou Inglaterra. Basta pensar o que esses países evoluídos fizeram à África, Ásia ou aos povos nativos do mundo todo.

E se? Bem, na história não há muito espaço especulativo para isso. Mas se você quiser se aventurar pelo mundo das possibilidades, temos a ficção, da literatura ao cinema. Lá, em nosso infinito universo imaginativo é onde vigora a lei do “tudo pode”, inclusive revisitarmos nosso passado e remodelá-lo conforme nosso desejos.


Topo