Colunistas

O fim da infância

Wagner Fonseca, poeta, professor e blogueiro

Quando li esse clássico da ficção científica do escritor Arthur C. Clarke, confesso que fiquei tristemente maravilhado. Uma linguagem envolvente e que não deixa ponto sem nó. Ao mesmo tempo há um certo pessimismo profético, na verdade quase sagrado, na obra. Apesar de fictício, o livro escrito no século passado recorda muito nosso atual século XXI, tempo decisivo para nosso futuro enquanto espécie.

Não vou entrar aqui nos pormenores da obra, deixo o gostinho da curiosidade atiçá-los para a leitura, que vale muito a pena. Até porque o que me trouxe para o livro é justamente essa “profecia sagrada pessimista”. Quando as nações começam a se reerguer e buscar suas identidades pátrias, com tanto clamor nacionalista, justamente nesse momento tão frágil no campo político das identidade nacionais e das relações internacionais, nos encontramos no limiar de nossas possibilidades de continuidade da humanidade.

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Cantam as pessoas no comercial televisivo: “O meu país é a Terra…”, e essa terra é a casa comum de cada ser humano, cada um de nós fruto de alguma migração no passado distante ou recente. Os “terraplanistas” e nacionalistas ufanistas diriam que tal comercial é apenas mais um artificio “globalista conspiratório de dominação mundial”. Há algo a se pensar nesse frenesi que outros podem classificar apenas como insanidade.

A grande questão é que, apesar da possível veracidade das teorias conspiratórias, a nossa casa ainda é nossa Mãe Terra. Para quem assistiu o magnífico filme “mãe!” e não teve nenhum ataque devido às questões religiosas, pode fazer uma relação entre nossa realidade e algumas ideias ali expostas. Aquele ser humano que destrói a sua própria casa, deixando a Mãe Natureza extremamente enlouquecida, é esse mesmo ser humano do século XXI. Embora queiramos defender nossos limites territoriais, os traços no mapa não são desenhados no chão. A não ser quando algum plutomaníaco se acha no direito de separar povos com muros de concreto e arrogância…

A nós parece que a civilização está na sua maturidade. Hegel já havia afirmado isso sobre a sociedade industrial há duzentos anos e Comte construiu, de certa forma, sua filosofia (e também a sociologia) sobre esse pilar. Nossa “maturidade” tem nos apodrecido e causado prejuízos já irreparáveis à nossa casa. O aquecimento global pode não ser causado pela humanidade, dadas as devidas referências, o que é pouco provável, porém não deixa de ser uma realidade. Se observarmos as pesquisas científicas, vamos perceber que a nossa evolução enquanto espécie combina com um tempo em que nosso planeta se encontra numa certa “calmaria” geoclimática, ou melhor dizendo, natural.

Agora a ameaça global diz respeito diretamente aos resultados de nossas ações sobre nossa casa comum. Água, ar, vegetação e solo são diariamente contaminados e a cada instante vemos, ouvimos e sentimos o impacto disso tudo reagindo sobre a existência da vida. Se a espécie humana se achava madura o suficiente, é vital abandonar nossa infância e as birras juvenis para nos unir como adultos que cremos ser. O mundo já existia antes de nós e vai continuar, inclusive provando que a praga nessa terra não são outros animais!

Se é possível compor um universo de nacionalidades para viver em equilíbrio sócio ambiental, ainda não conseguimos visualizar. O que temos em mãos é essa necessidade pungente! O meu país é o Brasil, sim. Todavia cada ser humano deve compreender a brutal (!) e intrínseca noção de que nossa casa é a Terra. E não acredito que, como no filme “Presságio”, os “anjos” virão salvar nossas crianças. É mais provável que a única espécie “inteligente” que conhecemos torne-se apenas alguma memória a ser catalogada (e apagada) dos cosmos…

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