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O fanatismo do brasileiro beira o totalitarismo

Uns poucos minutos nas redes sociais e o enjoo vem fácil. A internet é uma grande provedora de “relativismos” frios, algumas vezes desconexos e também agressivamente abusivos. Quando não contraditórios. Para cada acusação de um lado qualquer há outra prova em contrário do lado acusado. Observem atentamente cada “debate” proporcionado na rede. Sempre há quem tenha outras informações que contradizem aquilo que antes foi dito e aí começam as brigas corriqueiras.

Poder expressar nossos pontos de vista é uma conquista democrática, herança também do Iluminismo e da Revolução Francesa, quando, historicamente, por exemplo, se localiza no tempo o surgimento das concepções de “esquerda” e “direita”. Bem, é graças ao direito de expressão democrático que eu posso me considerar alguém de esquerda. Isso não me impede de ter amigos de direita. Muito menos sou impedido de ter amigos que sequer sabem as diferenças (e semelhanças) de ambos e também nada me impede de ter outros amigos que vêm tentando superar essa dualidade. Uma baita desafio.

Por outro lado, voltemos às nossas redes sociais e os seus “profícuos relativismos”. Tente argumentar em alguma postagem sobre política ou religião. Não, caros amigos, não existe isso de que política, futebol e religião não se discutem. A única coisa que não discutimos é aquilo que não entendemos, não conhecemos, por isso só ouvimos, para aprender. Por outro lado, ainda, na internet ou no dia a dia mesmo, discussão virou sinônimo de disputa e quem disputa quer vencer. Discussão, por outro lado também (por favor, perdoem-me a repetição), não precisa ser vencida, precisa apenas ser discutida, no intuito de que pontos de vista divergentes possam, ao menos, serem ouvidos entre si.

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Empatia, alteridade, se coloque no lugar do outro antes de julgá-lo. Não é um exercício fácil. A internet, já sabemos, não é um território sem leis, há regras explícitas e outras que vêm da boa educação de casa. Aí veremos novos problemas e soluções parecerem apenas conceitos abstratos.

Eu proponho uma experiência bem “simples”: crie um perfil fake contrário às suas ideias. Por exemplo, seja de direita quando for de esquerda e vice-versa. Tente expor “suas convicções” publicamente. Pode ser doloroso, mas qualquer pessoa bem intencionada, educada e com um mínimo de discernimento, não tem necessidade de tal artifício. Basta observar o fanatismo psicótico que se espalha.

Na democracia que vivemos você ainda pode optar ser de esquerda ou de direita e isso pode dizer muito ou pouco sobre você no final. Entretanto, quando você vê o erro, a falha, o pecado, a imoralidade apenas em um lado da situação, você está caminhando rumo à uma visão totalitária (muitas vezes fundamentalista!). Num passeio rápido pela web podemos perceber política e religião mesclando-se num perigoso monstro de ódio contra tudo o que for contrário à visão de quem aponta o dedo.

Se eu sou da esquerda e enxergo o erro apenas na direita, já expresso aí minha miopia em relação ao mundo. Se sou da direita e creio que o mundo será melhor se eliminarmos a esquerda, então sou totalitário, antidemocrático e isso nós vemos nos dois lados. Contudo, eu preciso também demonstrar o lugar de onde olho para o mundo. Penso que pode ser possível um dia em que superemos essa dualidade política, porém, não tenho tantas esperanças assim. Me incomoda e assusta o quanto as pessoas ao meu redor não se preocupam mais com suas máscaras. Inocência e ingenuidade de um iludido poeta, pois agora as pessoas vociferam tudo aquilo que sempre pensaram sobre os outros e assim os tratam: não são seus próximos, são apenas outros e, como outros, devem ser excluídos ou eliminados.

Fobia social e reduzido círculo de amigos já despontam como horizonte mais palpável a cada dia. Que a banalidade do mal não converta os livres pensadores nos próximos “outros” a serem eliminados, embora já saibamos estar ali classificados.

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