Óticas Carol 2
Óticas Carol
Colunistas

Excesso de vida, excesso de tudo, excesso de nada…

Odonto Excellence

Wagner Fonseca, poeta, professor e blogueiro

Minhas leituras recentes me desmoronaram, me demoliram, como costumávamos dizer: “Tô demolido”. Ler é um ato de liberdade, com toda certeza, mas como toda liberdade nunca é em vão, muito menos de graça, vem sempre carregada de responsabilidade. Ser responsável pelo que se leu, pelo que se lê, pela forma de como assimilamos isso e pela reflexão que isso traz. “Ler devia ser proibido”, diz um excelente vídeo no youtube.

Em “A sociedade do cansaço”, o filósofo sul coreano Byung Chun Han consegue demolir essa aura de liberdade que carregamos. Nossa sociedade é do “cansaço” devido a alta cobrança por sermos melhores sempre. Somos uma “sociedade do desempenho”, de uma positividade nunca antes vista, de uma exploração própria, de uma exploração individual feita e levada a cabo com maestria por cada um de nós. E aí nos “demolimos” no cansaço exauridos pelo excesso sobrecarregativo de sermos exatamente quem somos, ou por ser a cada momento esse ser que tencionamos nos tornar em cada momento exaustivamente tentador de se viver ao máximo. Nossas glórias maiores estarão para sempre digitalizadas, relembradas a cada novo esquecimento de si próprio.

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As palavras perdem-se entre as milhares de legendas para cada foto de uma nova pose. Estamos sobrecarregados de autoestima, ou, melhor dizendo, estamos nos sobrecarregando da possibilidade de tentar melhorar nossa autoestima a cada novo click. Afinal, já não basta apenas estar, nem mesmo provar: é preciso garantir uma enxurrada de likes para estimular e massagear nosso egos. Difícil mesmo é desligar-se disso e apertar aquele botão do f***-**!

Houve um tempo em que fotos guardadas numa caixa de sapato tinham o peso de ouro. Hoje têm o valor de relíquias sagradas. Houve um tempo em que parávamos para ouvir o silêncio das árvores, para se abraçar nas águas de uma nova cachoeira. Houve tempo até que brincávamos no mar como crianças pela primeira vez.

Hoje, cada vez mais, parece apenas que precisamos de alguma frase superficialmente sentimental para emoldurar a pose de tentativa de contemplação do espetáculo da vida que propomos viver a cada final de semana. A Matrix já vive em nós e as baterias de sua existência diariamente são carregadas com “coraçõezinhos” vermelhos e polegares festivos. Black Mirror é logo ali…

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