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Cidade: memória e identidade

Uma cidade sem memória não pode contar sobre si própria. Há cidades assim, em que o vínculo sobre o passado repousa em livros apenas, livros cada vez menos lidos, livros cada vez menos entendidos, livros cada vez menos exaltados.

A memória viva de uma cidade precisa estar presente no cotidiano, precisa se fazer presente no olhar mesmo que a sociedade e as autoridades clamem somente ao futuro. Contudo, futuro e passado são construções ideológicas também, portanto, políticas, culturais e, por isso mesmo, históricas. Cidades pequenas vivem um paradoxo entre a preservação do passado e a necessidade de erigir um futuro pautado nos “louros” do progresso e do desenvolvimento.

Ao passear pelas cidades do Sul catarinense, os sentimentos evocados pela percepção da paisagem entram em conflito. Não encontramos um “centro histórico” característico, embora se ouça muitos discursos evocando um passado repleto de grandes conquistas. É muito comum não encontrar as construções antigas tão glorificadas nos livros.

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Aliás, é o contrário que vemos, locais que poderiam “emergir” como o elo com o passado dos colonizadores são hoje substituídos fácil e rapidamente por novas e “modernas” fachadas. As festividades municipais organizam-se em torno da necessidade de criar-se uma identidade que não passa, muitas vezes, de uma cópia d’alguma cultura europeia.

Memória e identidade são conceitos importantes quando se pensa o futuro, a cultura e o desenvolvimento de uma cidade como um todo. Todavia, são conceitos amplos e complexos e que exigem muita reflexão sobre seus significados. Modernidade, cultura, desenvolvimento, progresso, identidade, memória. Aqueles que estão no poder e “dirigem o futuro” de nossas cidades deveriam ter um mínimo de conhecimento sobre a complexidade desses conceitos.

Uma cidade que foca no futuro precisa corresponder aos laços que a ligam com seu passado de maneira crítica. Manter parte de seu patrimônio artístico e arquitetônico, sua cultura material e imaterial. Da mesma forma que manter seu patrimônio natural para além de uma mera exploração financeira baseada em um turismo que não vai além disso mesmo.

Para o bem e para o mal, nossos futuros se alicerçam no passado. Cabe questionar: a quem pertencem? A construção dessa resposta pode ser e não é simples. Seria menos fácil, ainda, questionar qual a identidade que se busca para uma cidade. A resposta, também, precisaria ser construída por várias mãos, pois uma cidade não tem donos, mas habitantes, aqueles seres especiais que atribuem valores ao lugar em que vivem.

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