Colunistas

Campo de batalha

Wagner Fonseca – poeta, professor e blogueiro

A cada “nova” ideia, uma provocação surge na mesma medida, ou não. A cada manifestação de likes ou “haha”, alguém aparece para reprovar seu “desvio” ou “escorregão”. A rede não perdoa, porque a rede engloba cada um de nós.

Em muitas vezes o melhor a se fazer em qualquer discussão na internet é ficar de fora. “Ver o circo pegar fogo” pode ser uma saída, mas nunca é fácil, por esse motivo alguns até adoecem. Esse problema reside em pessoas que, além de não aceitarem o oposto, tendem a considerar como legítimo apenas seu ponto de vista. Bem, também não podemos relativizar tudo, sob pena de achar que toda verdade é válida…

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Observe como se constroem as discussões nas redes sociais. Alguém posta uma mensagem criticando determinado assunto e não demora muito alguém, que se sente atacado, aparece com o contraditório baseado em inúmeras provas ou que tais. Quando expresso saudavelmente, vá lá, só nos faz crescer, porém, o que mais temos visto são ataques agressivos às pessoas mais que às “suas” ideias. E fica pior quando o ataque trata-se apenas de um “copia e cola” irrefletido ou frases feitas. Aliás, frases de ordem conseguem ser piores ainda porque denotam uma imposição moral como verdade única a ser seguida. Implicitamente pode-se entender que a imposição moral tende a até ser uma falha de caráter naquele ou naquela que a enuncia.

Para se ter uma ideia dos absurdos que já li nessas discussões, vou citar algumas pérolas:

“Não perco meu tempo lendo livros”

“Livros são tendenciosos”

“Basta aparecer alguém com algum diploma e dados estatísticos que vocês já aceitam”

“Minha opinião é verdadeira, porque se não fosse eu nem teria opinião”

“Ah, qualquer coisa já vem com um textão para querer posar de entendedor”

Transcrevi essas “pérolas” apenas para demonstrar como a leitura e a escrita estão sendo subjugadas ultimamente. Há também aqueles que, no momento de uma discussão, utilizam-se de artifícios como a ironia e o sarcasmo de uma forma maldosa apenas “enrolar” seus interlocutores. Há quem “lacre” e há quem teça armadilhas.

A ciência, o estudo e a pesquisa, o diálogo e a atenção ao outro estão sendo deturpados em nome de um “maniqueísmo opinatório” que sequer consegue travestir-se de intelectualidade. Se convém à minha forma de pensar o mundo, tudo bem, mesmo que eu não compreenda o que me é dito em sua essência. Por outro lado, quando aquilo que é enunciado fere o meu pensar, então é hora do ataque, de preferência feroz e irrefletido. Atirar primeiro e perguntar somente se houver tempo.

A internet virou um campo minado que cresce exponencialmente. Expor-se com ideias próprias é um perigo que ameaça amizades que um dia foram tão solidamente construídas. Recordo-me de ouvir um apresentador na tevê após as eleições de 2014 dizer que o Brasil havia sido dividido por causa da política e como isso poderia ser prejudicial. Vi muitos criticarem um único partido por causa daquela divisão citada, entretanto a culpa não é de um partido apenas e sim de todos eles e outros setores da sociedade.

“Ah, lá vem aquele cara com outro texto cheio de nada”, uma fala que muitas vezes é enunciada com tanto fervor para desqualificar aquilo que exige muitas vezes somente sua simples leitura. Nesse caso, é melhor ser capaz de produzir um texto grande com alguma coerência, no mínimo gramatical, quem sabe, a ser um mero papagaio que repete coisas sem saber o que realmente diz.

Isso me incomoda, pois é muito difícil mensurar até onde realmente sabemos aquilo que julgamos saber. Na dúvida, a pesquisa profunda e atenta é sempre o melhor caminho, quando não o único.

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