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Aqui existe um rio

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O desastre ecológico de Mariana/MG, suscita um debate constante sobre o progresso, esse ente ‘intocável’ que faz a roda do mundo girar. No Sul catarinense nossos rios há muito também deixaram de ser ‘Doces’ e alguns sequer são lembrados como rios pela própria população.

Muito se discute sobre o que o futuro nos reserva em relação a água e seu uso ‘racionalmente’ desperdiçado diariamente. A construção de barragens tornou-se um “mal ambiental” necessário à nossa existência. A região carbonífera estaria sofrendo com a escassez de água potável se não tivéssemos a barragem do rio São Bento.

Mais ao Sul trava-se antiga batalha pela construção da barragem do rio do Salto. Questões políticas a atrasam e põem em pauta os impactos que representa. Fatores ecológicos, sociais e éticos, afinal um rio é sempre mais do que um simples elemento a figurar em meio à paisagem. A água é envolta em simbologias, como citava Bachelard poeticamente em “A água e os sonhos”.

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Gilberto Freyre ao analisar a cultura da cana-de-açúcar na formação do Nordeste brasileiro conseguiu perceber a íntima relação entre o ser humano e a água dos rios. Nos idos de 1937 já denunciava a degradação que os rios sofriam com o avanço do progresso desmedido. Antes dele, José Bonifácio ecoava medidas de proteção às nascentes e vegetação dos morros nos finais do século XVIII. Distantes no tempo e atuais em suas prerrogativas: indiscriminadamente destruímos nossas maiores riquezas e hoje corremos o risco de sufocar no acúmulo de nossos comodismos.

Recentemente tivemos duas publicações sobre rios de nossa região, o Mãe Luzia e o Criciúma, este último típico representante urbano: escondido em tubulações que domam suas curvas. Contudo, outros rios jazem emudecidos em seus leitos desprovidos de qualquer esperança. O rio Sangão talvez seja o mais danificado entre todos, assemelhando-se a uma vala aberta para retirada do carvão, sendo-lhe a água algo muito distante do que se possa chamar de vida.

A degradação e poluição de nossos rios alcançou níveis tão extremos que muitos sequer os percebem como rios, mortos que sejam. Assim é o rio Sangão, como um corpo abandonado na sua indigência de perecer, sem o direito de ser considerado um estéril leito de morte, unicamente alcunhado: esgoto.

O esforço da sociedade civil em prol de nossos rios urge cobrar de nossos governantes sensibilizar-se com as questões socioambientais. Aqui, entre a vegetação que teima em “ciliar-se” jaz um rio. Os avanços de nossa sociedade o mataram, mas teremos coragem de ressuscitá-lo?


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