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Entre não querer e não poder subir

Não há uma entrevista sequer do Criciúma que não haja uma pergunta sobre as chances de acesso. Igualmente, ninguém foge de uma resposta otimista entre jogadores e comissão técnica. “Vamos lutar até o final”, “ainda temos chances” e “queremos chegar” são frases padrão dentro do clube. O discurso vazio, porém, não cola mais.

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Por que fazem isso? Difícil saber. A razão mais próxima talvez tenha a ver com o torcedor. É duro ser sincero, dar a cara a tapa e falar que o objetivo é chegar aos 45 pontos, evitar o rebaixamento e “ver no que dá” nas rodadas que restarem.

Quem tiver a hombridade de falar em público que a meta é não cair, ganha pontos com quem tenta ser mais racional, mas vira persona non grata com os mais apaixonados. Afinal, “como pode um clube do tamanho do Criciúma se contentar em não cair?”.

Prefiro mudar a ótica da pergunta: como pode um clube da tradição carvoeira ter um investimento tão baixo, que contrasta com uma estrutura de primeiro nível, um presidente tão perdido em suas convicções e que afasta a torcida do estádio? O elenco desequilibrado e sem qualidade hoje é escudo da diretoria, que segue sem ter ideia do que fazer, enquanto vê os jogadores sendo constantemente criticados pela massa criciumense. Criticados com razão, é claro, mas eles apenas são parte do sistema que começa de cima para baixo.

O Criciúma (englobo jogadores, comissão técnica, diretoria e presidência) está enganando o torcedor. Pode não ser por mal ou sacanagem, mas é uma forma de fugir da responsabilidade e de admitir que o Tigre possui pouquíssimas chances de subir. O “ainda temos chances” serve apenas para dar satisfação a torcida e dizer que quer um algo a mais.

A matemática até está ali, ainda ao lado do clube carvoeiro, mas as posturas dentro das partidas e a força que não vem sendo apresentada remam para sentido oposto.

No sábado (30), diante do Guarani, o Tigre teve chance de ouro de cortar para cinco pontos a distância para o G4. Entrou em campo sabendo que o Paraná havia perdido na sexta e o Vila Nova empatado em casa horas antes. Em que pese a torrencial chuva, que impediu a prática de qualquer futebol minimamente decente em Campinas, era jogo para entrar com sangue nos olhos, para ganhar na marra. O que se viu em campo foi um Criciúma perdido na primeira etapa, forçando jogo pelo chão em um gramado encharcado, e só se encontrando no segundo tempo, mas abrindo mão da partida nos minutos finais.

Será que foi a postura correta? Sete pontos não se tiram do dia para a noite, tampouco esse corte pode ser adiado, ainda mais faltando agora 11 jogos para o fim da temporada. Para quem quer chegar aos 45 pontos e evitar a queda, ótimo resultado; para quem brada pelos quatro cantos que quer subir, péssimo.

Feitas essas considerações, vale o questionamento: o Criciúma não quer subir ou já sabe que não possui forças para chegar ao hall dos quatro primeiros? Seja qual for a resposta, parece claro que o resultado ao fim das 38 rodadas será o Tigre fora do G4 e agonizando por mais um ano na Série B.


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