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Aumento de MEIs impulsiona negócios criados dentro de casa em Forquilhinha

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O município acompanha a aceleração do empreendedorismo catarinense e vê surgir, cada vez mais, pequenos negócios que nascem nos fundos de quintal, nas salas de casa e nas redes sociais, e que já movimentam a economia local de forma concreta.

Quem passa pelas ruas de Forquilhinha nos últimos anos percebe uma mudança sutil, mas consistente: há mais placas de atendimento em residências, mais entregas saindo de garagens e mais profissionais anunciando serviços pelo WhatsApp ou pelo Instagram. Esse movimento tem nome e CNPJ: é o microempreendedor individual, o MEI, que cresce no município acompanhando uma tendência que já se consolidou em todo o estado de Santa Catarina.

O cenário estadual dá a dimensão do fenômeno. Em 2025, Santa Catarina registrou saldo positivo de 140 mil novos CNPJs, o maior da série histórica do estado, com os MEIs respondendo por mais de 70% desse total. No primeiro trimestre de 2026, o Sebrae apontou uma aceleração de 14,8% na abertura de pequenos negócios em SC, puxada diretamente pelo setor de serviços e pelo consumo urbano. Forquilhinha, que já vinha registrando um crescimento econômico de 18,07% em 2023, inclusive superando a média estadual e da região Carbonífera, segue como terreno fértil para quem decide trabalhar por conta própria.

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O negócio que nasce em casa e sustenta a família

A lógica do MEI tem uma força particular em municípios de porte médio como Forquilhinha: o custo de entrada é baixo, a burocracia foi reduzida e a clientela, muitas vezes, já existe antes mesmo da abertura do CNPJ. É o vizinho que encomenda bolo, a conhecida que faz unhas, o sobrinho que monta sites. A formalização chega depois, quando o volume de trabalho justifica.

Esse perfil de negócio criado dentro de casa não é exceção em Forquilhinha: é cada vez mais a regra. E os setores que mais crescem refletem diretamente o consumo cotidiano da cidade.

Confeitaria, serviços digitais e beleza: os setores que mais se expandem

Entre os segmentos que mais têm registrado novos MEIs no perfil de cidades como Forquilhinha, três se destacam pela facilidade de início e pela demanda constante.

A confeitaria artesanal é uma das mais visíveis. Bolos personalizados para aniversário, doces para casamentos e encomendas para datas comemorativas sustentam negócios operados a partir de cozinhas domésticas. A demanda por personalização favorece exatamente esse modelo, em que o produto é feito sob encomenda e o atendimento é direto com o cliente.

Os serviços digitais também avançam. Designer gráfico, gestor de redes sociais, editor de vídeos, produtor de conteúdo: profissões que não existiam com esse nome há dez anos, hoje figuram entre as atividades MEI mais abertas no Sul Catarinense. A infraestrutura necessária cabe em um notebook e uma boa conexão de internet, o que torna o modelo especialmente atrativo para jovens que buscam independência sem precisar de um ponto comercial.

Ao lado dessas frentes, o setor de beleza se consolida como um dos mais robustos entre os MEIs de Forquilhinha e da região. Cabeleireiras, manicures, designers de sobrancelha e profissionais de extensão de cílios formam uma categoria que cresce de forma acelerada.

O setor de beleza em destaque

O crescimento da beleza como atividade MEI não é coincidência. No Brasil, o setor registrou a abertura de mais de 170 mil pequenos negócios nessa área em 2024, com média de 700 novos empreendimentos por dia entre janeiro e setembro, segundo o Sebrae. Em Forquilhinha, esse movimento se traduz em ateliês montados em cômodos da casa, profissionais com agenda lotada e clientes que preferem o atendimento personalizado ao ambiente de salão tradicional.

Dentro desse setor, a extensão de cílios tem ganhado destaque particular. A procura por técnicas como fio a fio, volume russo e lash lifting cresce de forma consistente, impulsionada pela busca de serviços que valorizem o olhar com durabilidade e personalização. Com isso, cresce também a demanda por capacitação. Profissionais da região buscam formações completas, que vão do básico ao avançado e incluem módulos de gestão, precificação e marketing.

A busca por qualificação reflete uma mudança de mentalidade, não basta saber executar o serviço. O MEI da beleza precisa entender de precificação, de divulgação nas redes e de como fidelizar clientes. Quem investe nessa formação sai na frente.

O dinheiro que circula dentro da cidade

O impacto dos MEIs na economia local vai além do sustento de cada família que toca um desses negócios. Quando uma confeiteira compra insumos na mercearia do bairro, quando uma profissional da beleza adquire produtos em um distribuidor ou quando um designer digital frequenta o café da esquina no intervalo do trabalho, o dinheiro que circula fica dentro da cidade.

Esse efeito multiplicador é conhecido na economia como “circulação local de renda” e tem peso considerável em municípios como Forquilhinha, onde o comércio de bairro ainda sustenta grande parte das relações de consumo. Um pequeno negócio formalizado não apenas gera renda para quem o opera: ele movimenta fornecedores, cria demanda para outros serviços e fortalece o tecido econômico local de dentro para fora.

Além disso, a formalização via MEI inclui o empreendedor no sistema previdenciário, garante acesso a linhas de crédito e abre portas para o mercado de compras públicas, o que, no médio prazo, contribui para a sustentabilidade dos próprios negócios e para a estabilidade da economia do município.

O que esperar do futuro

A tendência aponta para um crescimento contínuo. O Sebrae/SC conta com 22 municípios da região Sul aderentes ao Programa Cidade Empreendedora no ciclo 2025/2026, iniciativa voltada à desburocratização e ao fortalecimento de pequenos negócios no nível local. O ambiente catarinense segue sendo um dos mais favoráveis ao empreendedorismo no Brasil, com medidas de simplificação que permitem abertura de negócios de baixo risco por autodeclaração, sem necessidade de autorizações prévias.

Para Forquilhinha, o cenário combina crescimento econômico acelerado, base industrial sólida e uma população que não espera oportunidade bater à porta. O MEI que nasce na sala de casa hoje pode ser a empresa de amanhã. E é exatamente esse ciclo que vem transformando, silenciosamente, a paisagem econômica da cidade.


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