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Suspeito de estelionato pode ter feito duas mil vítimas

Polícia Civil de Araranguá já instaurou inquérito policial e denúncias foram realizadas em pelo menos seis estados.

A Polícia Civil de Araranguá, por meio da equipe da 1ª Delegacia, coordenada pelo delegado Fernando Mendes, instaurou um inquérito policial para investigar as denúncias contra um homem do município que teria praticado golpes de estelionato por diversos estados do Brasil. A apuração dos fatos foi iniciada nessa terça-feira, 10, com o trabalho focado na tentativa de identificar o maior número possível de vítimas que teriam caído na proposta do investigado.

Conforme a autoridade policial, até o momento há informações de que o crime teria sido registrado em pelo menos seis estados do país. “Nesse quesito, ainda não sabemos ao certo quantas vítimas existem. Informalmente foi criado um grupo de pessoas que teriam sido lesadas que conta com aproximadamente 500 membros, mas fala-se em um número maior, algo em torno de duas mil vítimas”, alerta.

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O que a Polícia Civil tem de informações até o momento, obtidas nesse início de investigação, é que o suposto golpe era praticado pela internet, no tipo pirâmide. Segundo o delegado, o indivíduo anunciava em um site uma empresa de investimentos, em que a pessoa contribuiria com valores que poderiam chegar até a R$ 8 mil. “A promessa era que, depois de repassado o recurso, 25% dos juros seriam destinados aos investidores. A pessoa fazia o cadastro em uma plataforma online e podia acompanhar a movimentação do dinheiro. No entanto, nenhum investimento era feito e, quando as vítimas percebiam que haviam depositado e ficado sem retorno, tentavam entrar em contato com o dito investidor, que sumia”, explica.

De acordo com Mendes, o homem anunciava que os valores seriam aplicados em bitcoins ou ações na bolsa de valores, mas não há registro nenhum de alguma movimentação financeira nesse sentido. “Ao que parece era tudo fachada, um esquema até bem organizado e que fez bastante vítimas, pelo que estamos apurando”, reforça.

Próximos passos

Durante o dia de ontem, os policiais da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Araranguá efetuaram buscas, na tentativa de encontrar o homem que está sendo apontado como autor dos crimes de estelionato. “No entanto, o advogado dele percebeu nossa movimentação e entrou em contato para negociar uma possível apresentação às autoridades. A conversa é para que ele se apresente até hoje, caso contrário, vai demonstrar que está fugindo e pediremos a prisão preventiva”, argumenta o delegado.

Posteriormente, para a autoridade policial, a manutenção da liberdade do investigado vai depender do que será acertado entre a Polícia Civil e a defesa, se o indivíduo se propuser a amenizar os prejuízos causados às vítimas. “Tudo vai depender do grau de colaboração dele e da postura que for adotada. Pela quantidade de crimes registrados, já temos motivo para pedir a prisão preventiva, mas nosso objetivo principal é, inicialmente, tentar amenizar o prejuízo sofrido por essas pessoas”, garante Mendes.

O crime de estelionato

Pelo Código Penal, o crime estelionato, caracterizado por “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”, pode gerar reclusão de um a cinco anos, além de multa. “Nesse caso, como são várias vítimas, as penas podem ser somadas se a situação entrar em concurso. Tudo vai depender do andamento das investigações e conclusão do inquérito policial”, finaliza o delegado.

Francine Ferreira

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