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Aedes aegypti: até fevereiro, foram realizadas visitas em mais de 277 mil imóveis de SC

A Sala Estadual para o combate ao Aedes aegypti/SC informa que, dos 32 municípios considerados infestados, 29 implantaram a sala de situação municipal. O município de Quilombo ainda não informou a implantação da mesma, e os municípios de Bom Jesus e Descanso estão sendo orientados para sua implantação.

Esses municípios foram orientados a iniciar os ciclos de visitas a todos os imóveis existentes nas áreas infestadas e a repassarem informações diariamente à Sala Estadual sobre as ações realizadas.

Além disso, os 28 municípios foram considerados em situação de risco por apresentarem aumento do número de focos e de área de detecção, introdução do Aedes aegypti devido à proximidade com municípios infestados com transmissão ou infestados, ocorrência de casos isolados ou por serem polos nas regiões em que estão inseridos. São eles: Sombrio, Canoinhas, Porto União, Concórdia, Palhoça, Tijucas, Jaraguá do Sul, Dionísio Cerqueira, Mondaí, Palma Sola, Tubarão, Caçador, Blumenau, Brusque, Cunha Porã, Nova Erechim, Criciúma, Bombinhas, Balneário Piçarras, Camboriú, Ilhota, Luís Alves, Navegantes, Penha, Porto Belo, São Bento do Sul, Ipuaçu e São Domingos.

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Esses municípios receberam repasse financeiro estadual em 2015 para qualificar as ações de vigilância e controle vetorial, foram orientados a implantarem suas salas. O objetivo das salas, nesses municípios, é de desencadear ações intersetorias, visando diminuir o risco de infestação ou mesmo introdução do vetor. Os municípios de Bombinhas, Camboriú, Canoinhas, Dionísio Cerqueira, Ipuaçu, Luís Alves, Mondaí, Navegantes, Nova Erechim, Porto União, São Domingos e Tijucas já informaram a implantação de suas salas.

Informações sobre as visitas aos imóveis continuam sendo repassadas diariamente para a Sala Estadual, por 28 dos 32 municípios infestados. Os municípios de Bom Jesus, Descanso, Quilombo e São José não repassaram nenhum dado sobre as visitas aos imóveis até o momento.

Assim, dos 333.010 imóveis em área infestada, que deveriam receber visita até o dia 13 de fevereiro (1º ciclo), foram realizadas visitas em 277.260 imóveis, representando 83,3% do total. Os imóveis fechados ou que a visita foi recusada totalizam 78.744, sendo que desses já foram recuperadas as visitas em 20.400, permanecendo 58.344 como pendentes (21% do total de imóveis existentes). Nesse ciclo, foram eliminados 128.609 recipientes (pequenos depósitos móveis como pratinhos de plantas, pneus e lixo).

Apesar do elevado número de pendências que ocorre, principalmente, nos municípios litorâneos (imóveis fechados), muitos iniciaram o segundo ciclo de visitas, buscando recuperar esses imóveis no ciclo de visitas subsequente. Como estratégia de recuperação de imóveis, os municípios podem utilizar a Medida Provisória 712/2016, que autoriza o ingresso forçado dos agentes públicos em imóveis que estejam fechados ou abandonados com iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito Aedes aegypti para a execução das ações de controle e combate a este vetor.

No 2º ciclo de vistas, que se iniciou em 15 de fevereiro, dos 333.359 imóveis em área infestada (devido a ampliação de imóveis na área infestada do município de Cunha Porã), já foram realizadas visitas em 126.400 imóveis, representando 37,9% do total. Os imóveis fechados ou que a visita foi recusada totalizam 48.061, sendo que desses já foram recuperadas as visitas em 12.513, permanecendo 35.548 como pendentes (28% do total de imóveis existentes). O município que ainda não encaminhou os dados referentes ao segundo ciclo de visitas é somente Chapecó. Já foram eliminados 31.998 recipientes (pequenos depósitos móveis como pratinhos de plantas, pneus e lixo).

Formalizaram solicitação de apoio das Forças Armadas à Sala Estadual os municípios de Balneário Camboriú, Chapecó, Florianópolis, Itajaí, Itapema, Pinhalzinho e Xanxerê. Em Florianópolis, o contingente do Exército vem desenvolvendo ações de orientação à população e eliminação de possíveis criadouros. Os pedidos dos demais ainda aguardam o retorno da Sala Nacional.

Além da intensificação nas visitas aos imóveis das áreas infestadas desses 32 municípios, a Coordenação da Atenção Básica da SES/SC emitiu a Nota Técnica nº 001/2016 e a Sala Estadual realizou uma webconferência no dia 22 de janeiro com os agentes comunitários de saúde de todos os municípios catarinenses. A orientação repassada foi que, na rotina das visitas aos imóveis, devem ser priorizadas as ações de orientação para população sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, bem como formas de evitar e eliminar seus potenciais criadouros. Nestes municípios, os Agentes Comunitários de Saúde visitaram 453 mil residências enfocando ações de prevenção e educação em saúde relacionada ao Aedes aegypti.

Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

– Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda;

– Guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;

– Mantenha lixeiras tampadas;

– Deixe os depósitos para guardar água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;

– Plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;

– Trate a água da piscina com cloro e limpe uma vez por semana;

– Mantenha ralos fechados e desentupidos;

– Lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;

– Retire a água acumulada em lajes;

– Dê descarga no mínimo uma vez por semana em banheiros pouco usados;

– Mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;

– Evite acumular entulho, pois podem se tornar locais de foco do mosquito da dengue.

– Denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;

– Caso apresente sintomas de dengue, chikungunya o Zika vírus, procure uma unidade de saúde para atendimento.

O que é dengue?

A dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos de vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Sinais e sintomas

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39°C a 40°C) de início abrupto, que tem duração de dois a sete dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o terceiro e o sétimo dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

Quadros graves

Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, e caracteriza-se por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode levar à recuperação rápida, após terapia apropriada, ou ao óbito, de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue, já na primeira infecção, apesar da maior frequência ser entre a segunda ou terceira infecção devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes melitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentarem quadros graves de dengue.

Atenção: Na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram nos últimos 14 dias numa cidade com presença do Aedes aegypti ou com transmissão da dengue e apresentar os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.

O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo Vírus Chikungunya, que pode se apresentar sob forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases: subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa “aquele que se curva”.

Pessoas que estiveram nos últimos 14 dias em cidade com presença do Aedes aegypti ou com transmissão da febre de chikungunya e apresentar os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.

O que é febre do zika vírus?

É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3-7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, a doença se caracteriza pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

Francine Ferreira – Letícia Wilson / Patrícia Pozzo

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